ENTRE MÁSCARAS, AÉCIO FALA EM "REESTATIZAR PETROBRAS"
Em meio a uma cenografia agressiva, na qual se destacaram máscaras caricatas da presidente Dilma e do ex-presidente Lula vestidas por membros da juventude do partido, PSDB desenvolve seu seminário sobre a Petrobras na Câmara, em Brasília; painel ao fundo dos palestrantes tem mangueira de combustível remendada e cheia de furos; destaque entre os palestrantes, presidenciável Aécio Neves (MG) já chegou provocando: "Queremos reestatizar a Petrobras, que foi partidarizada pelo PT"
"Queremos reestatizar a Petrobras, que foi partidarizada pelo PT", provocou o senador Aécio Neves (PSDB-MG) logo que chegou ao seminário 'Recuperar a Petrobras é o Nosso Desafio', organizado pelo PSDB na Câmara dos Deputados. Pré-candidato do PSDB à Presidência da República em 2014, Aécio seria o principal palestrante do evento, e, como era esperado, bateu duro nas gestões petistas da estatal.
Segundo o senador, "essa discussão faz parte do Brasil de hoje e do Brasil do futuro". "Cabe a nós, da oposição, estar atentos, condenando abusos e apresentando alternativas ao que está aí", discursou, criticando que, em vez de autossuficiência, "estamos hoje importando cada vez mais combustíveis". O tucano criticou ainda a falta de leilões na área de exploração desde 2008 e disse que isso revela falha de gestão. Falando em "gestão temerária", o senador disse que "me parece irreal manter a Petrobras em 30% da exploração de cada campo de petróleo".
Aproveitando as críticas à Petrobras, Aécio mencionou a necessidade de "construir uma nova agenda", o que seria uma "obrigação do PSDB, da oposição e dos brasileiros". "Precisamos contrapor e mostrar aos brasileiros o Brasil real com o Brasil da propaganda", defendeu, alfinetando a presidente Dilma Rousseff mais uma vez: "O Brasil só acabará de uma vez por todas com a miséria com educação e desenvolvimento, e não com um decreto".
'Livro negro'
Os tucanos juntaram munição pesada contra a Petrobras e abriram fogo na tarde desta terça-feira 12, em Brasília, no seminário 'Recuperar a Petrobras é o Nosso Desafio'. Tudo está reunido no que eles chamam de "Livro Negro da Petrobras", um conjunto de números que, segundo os chefes do partido, atesta a decadência da maior estatal do País. Apropriando-se do slogan da empresa, o partido ocupa o plenário 2 da ala de comissões da Câmara, desde 14h00, para fazer críticas à atual gestão da companhia. Os partidos oposicionistas DEM e PPS também estão no evento. "O PSDB resolveu chamar para si a responsabilidade de mobilizar todos os brasileiros que não querem ver um de seus maiores patrimônios destruído", registra o site da agremiação.
"O PSDB vem alertando há tempos [para] a situação caótica da Petrobras", comentou o senador Alvaro Dias (PSDB-PR). "A Petrobras precisa de gerência profissional e qualificada e acabar com o loteamento político", comentou o presidente nacional do partido, deputado Sérgio Guerra (PE), também presente ao seminário, que foi aberto por Wagner Freire, ex-chefe da área de geofísica da Petrobras. "É uma incoerência que o preço de derivados não seja indexado ao mercado internacional", disse Freire. "Se isso não for feito rapidamente, a Petrobras vai entrar numa fase mais complicada ainda", alertou.
Críticas
"A Petrobras está com sua produção nos níveis de três anos atrás, parou no tempo e andou para trás", disse ao 247 o ex-governador de São Paulo Alberto Goldman. Na Câmara dos Deputados, ele foi presidente da comissão de privatizações durante o governo de Fernando Henrique Cardoso (1995-2202). "Nos últimos quatro anos, a Petrobras se recusou a fazer leilões para licitar áreas petrolíferas a serem exploradas, querendo abraçar tudo sozinha", afirmou Goldman.
"Como nenhum leilão foi feito, o resultado foi uma perda para a empresa e, em consequência, para o País, de 15 bilhões de reais nesse período. Esse dinheiro poderia ter entrado no caixa da empresa pelo interesse das companhias estrangeiras em participar dos leilões, mas o que aconteceu foi que nem houve disputa nem a Petrobras cumpriu a promessa de ela própria fazer a exploração".
Durante o seminário, Goldman disse que "o PT nada mais é do que uma grande força reacionária neste país". "Ou acabamos com o autoritarismo do PT ou ele acabará com o Brasil", completou, ao discursar sobre o uso de medidas provisórias pelo governo. Presente ao evento, o presidente do PPS, deputado federal Roberto Freire, parabenizou o PSDB pela iniciativa. "Precisamos fazer esse debate chegar à sociedade", disse.
O evento contou ainda com a presença de Pitágora José, um funcionário da estatal, segundo quem "a Petrobras virou um motim desse grupo que está no poder". Pitágora reclamou que o "conselho de administração da Petrobras na época da Dilma era um conselho do além".
Valor de mercado
Os tucanos escoram suas críticas na perda de valor de mercado da estatal -- apenas nos últimos dois anos, a perda foi de 47%. "Esperamos que nossa ideia inspire outras ações e mobilizações cada vez maiores dos brasileiros decididos a melhorar o Brasil", diz a nota em que o PSDB convoca para o debate. "Quem sabe não possamos inspirar mais uma vez a presidente Dilma Rousseff a tomar as medidas certas, como ela fez em relação à cesta básica, adotando a proposta do PSDB de zerar os tributos federais sobre os principais alimentos que vão para a mesa do trabalhador", provoca a nota.
Confira alguns números da Petrobras:
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